No último domingo de 2025, o senador Flávio Bolsonaro participou de um culto na Lagoinha Church, em Orlando, atendendo ao convite do pastor André Valadão para que os fiéis se aproximassem do púlpito para oração. O pré-candidato à Presidência compartilhou o momento nas redes sociais, invocando Deus como “o médico dos médicos” e pedindo a restauração da saúde de seu pai, Jair Bolsonaro, além da renovação das forças para a disputa eleitoral de 2026. Desde então, Flávio tem intensificado sua presença em eventos evangélicos no Brasil e no exterior como parte de sua estratégia política.
A estratégia política no campo evangélico
Flávio Bolsonaro tem buscado consolidar-se como um interlocutor confiável junto às lideranças evangélicas que nos últimos anos oscilaram entre a fidelidade ao pai dele e a procura por alternativas menos conflituosas dentro do conservadorismo. Essa movimentação ocorre num cenário político diferente daquele que levou Jair Bolsonaro à presidência em 2018.
Contexto atual das lideranças evangélicas
Segundo a antropóloga Lívia Reis,do Instituto de Estudos da Religião (Iser),há uma clara tentativa por parte de Flávio em resgatar a popularidade conquistada pelo pai nesse segmento religioso. No entanto, o ambiente mudou: desde 2016 as principais lideranças evangélicas se uniram contra um inimigo comum – o PT – e viram em Jair Bolsonaro uma figura capaz de derrotá-lo apesar das controvérsias pessoais que ele carregava.
Reis destaca ainda que houve um esforço coletivo para construir uma imagem moralmente limpa e quase messiânica do ex-presidente dentro desse grupo religioso. Michelle Bolsonaro teve papel basic nesse processo por ser ela própria evangélica praticante.
Desafios enfrentados por Flávio na base religiosa
Em 2026, porém, Flávio não conta com o mesmo respaldo religioso obtido pelo pai. Algumas lideranças importantes preferem outras candidaturas ou composições políticas - como Michelle Bolsonaro na vice-presidência numa chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
Resistências internas
O pastor Silas Malafaia é um dos críticos mais abertos à candidatura presidencial do senador. Embora não tenha animosidade pessoal contra ele, Malafaia considera Flávio pouco competitivo diante da esquerda e suspeita das estratégias adotadas pela família Bolsonaro neste momento eleitoral.
Ele também critica publicamente ações consideradas precipitadas ou forçadas para manter viva a imagem presidencial do ex-presidente durante seu período hospitalar recente.
Apesar disso, pastores influentes tendem a apoiar discretamente o filho número 1 de Jair caso sua candidatura seja irreversível – ainda que sem entusiasmo comparável ao apoio dado anteriormente ao próprio Jair.
Fragmentação e perspectivas eleitorais
O próprio pastor André Valadão evitou alinhar-se explicitamente com Flávio durante os eventos religiosos recentes nos Estados Unidos. Ele afirmou não ser bolsonarista nem ligado diretamente a nenhum candidato específico; seu posicionamento político estaria baseado apenas em princípios pessoais próximos aos seus valores religiosos.
Essa postura reflete um cenário mais fragmentado entre as lideranças religiosas brasileiras atualmente. Para Lívia Reis essa mudança está relacionada à transformação da imagem pública do ex-presidente: antes visto como homem forte agora aparece debilitado diante dos desafios políticos e judiciais enfrentados.
Além disso, há possibilidade real dessas lideranças moderarem suas críticas ao presidente Lula (PT), candidato à reeleição em busca do quarto mandato consecutivo no Palácio do Planalto.
Para concluir este panorama político-religioso-eleitoral: flávio parte hoje numa posição mais desconfortável perante o eleitorado crente, sobretudo porque não herdou integralmente o carisma nem as alianças firmadas pelo pai durante suas campanhas anteriores.
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