De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), até 29 de dezembro de 2025, o estado registrou 35.037 casos de violência doméstica contra mulheres ao longo do ano. Manaus concentra a maior parte dessas ocorrências,com 22.133 registros, o que representa mais de 60% do total estadual. O tema voltou a ganhar destaque nacional após a morte de Tainara Souza Santos, atropelada e arrastada por um ex-ficante em São Paulo, fato que reacendeu o debate sobre feminicídio.
Panorama da violência contra mulheres no Amazonas
O levantamento oficial evidencia uma realidade preocupante no estado: a violência doméstica continua sendo uma grave violação dos direitos das mulheres. A concentração dos casos em Manaus indica desafios específicos nas áreas urbanas para prevenção e atendimento às vítimas.
Casos emblemáticos e repercussão nacional
No dia 24 de dezembro, Tainara Souza Santos faleceu após permanecer internada por quase um mês devido ao atropelamento sofrido na Marginal Tietê, em São Paulo. Esse episódio trouxe à tona novamente a urgência da discussão sobre feminicídio e as medidas necessárias para proteger as mulheres.
Políticas públicas e defesa pessoal como estratégias essenciais
Especialistas reforçam que os números alarmantes demandam políticas públicas eficazes com foco preventivo e integrado. O artigo “Defesa Pessoal Feminina como Estratégia de Empoderamento: Políticas Públicas em Construção, entre a Legislação Proposta e a Prática no Amazonas”, publicado na IJAC em dezembro de 2025, reúne diversos especialistas que analisam essa temática sob diferentes perspectivas jurídicas e sociais.
Marcos legais fundamentais
O estudo destaca o papel da Constituição Federal de 1988 e da Lei Maria da Penha como bases jurídicas para políticas inclusivas voltadas à proteção integral das mulheres contra qualquer forma de violência doméstica.
Defesa pessoal feminina como ferramenta protetiva
Segundo Adriana Almeida Lima, doutora em Direito pela UFMG e professora na Universidade Estadual do Amazonas (UEA), é essential que os municípios ofereçam cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres vítimas ou em situação vulnerável à violência. Esses cursos devem ocorrer nos espaços das redes locais de atendimento social para garantir assistência adequada.
A pesquisa ressalta ainda que integrar esporte, educação física e apoio psicossocial fortalece significativamente a autonomia feminina. A expansão desses treinamentos deve priorizar especialmente as mulheres com vulnerabilidade socioeconômica.
O papel do Estado na prevenção contínua
A desembargadora Gisele Falcone Medina enfatiza ser indispensável investir permanentemente na formação das profissionais envolvidas no acolhimento às vítimas, além da implementação rápida das respostas diante dos riscos identificados.
Ela alerta para o desafio maior: transformar um consenso moral sobre o combate à violência numa prioridade política estruturada nacionalmente – garantindo segurança real às mulheres por meio do empoderamento emocional aliado às técnicas físicas ensinadas nos cursos.
Já Flávio Humberto Pascarelli Lopes destaca também a importância da vontade política constante para consolidar essas ações como políticas públicas duradouras capazes não só reduzir os índices atuais mas ampliar a consciência coletiva sobre autonomia corporal feminina.
curso gratuito fortalece participação social no Amazonas
Desde 2023 o governo do Amazonas oferece gratuitamente curso público focado na defesa pessoal feminina através da SEDEL – iniciativa idealizada pelo ex-secretário Jorge Oliveira – incorporando modalidades como jiu-jitsu, muay thai, luta olímpica e MMA visando autodefesa física aliada ao fortalecimento emocional social das participantes.
Em sua décima quinta edição realizada este ano nas cidades Manaus, Parintins e Maués foram formadas mais de três mil alunas beneficiadas pela ação pública integrada entre esporte comunitário and assistência psicológica via parceria com UEA – resultado visível no aumento significativo tanto na participação esportiva quanto nas redes locais solidárias contra vulnerabilidades sociais femininas.
Desafios enfrentados pelas vítimas
Thiago Balbi souza Lima coronel da Polícia Militar local aponta dificuldades importantes relacionadas ao reconhecimento pelas próprias vítimas dessa condição associadas aos obstáculos geográficos típicos do interior amazônico:
“capacitar as mulheres através dessas políticas amplia sua capacidade preventiva imediata reduzindo riscos diretos; além disso promove autoestima fortalecida facilitando busca ativa por ajuda institucional evitando reincidência dentro dos ciclos violentos.”
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