sexta-feira, janeiro 9, 2026
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Notícias do Amazonas – Alterações climáticas intensificam secas e cheias na Amazônia

O desmatamento, as ⁣queimadas e as mudanças climáticas têm provocado alterações significativas no regime hidrológico dos rios da⁤ Amazônia, intensificando‌ a frequência e a gravidade das cheias​ e secas nos últimos anos. Em 2023, ⁣a região ⁣enfrentou uma seca histórica que resultou na ⁢maior queda já registrada ⁤nos níveis dos‌ rios. No Rio Negro, por exemplo, o nível⁢ da água no porto de Manaus ​atingiu 14,75 metros, o menor desde o início das medições em 1902.

Impactos do Regime Hidrológico na Amazônia

De acordo com o pesquisador ⁢do Instituto⁢ Nacional de Pesquisas da amazônia (INPA), Jochen Shöngart, ‌nas duas primeiras décadas deste século foram contabilizados nove eventos de cheias severas – número equivalente ao registrado durante todo o século XX. Ele ressalta⁤ que a amplitude entre cheia e vazante aumentou cerca de ‌1,6‌ metro na região amazônica.⁢ Essa ‌variação provoca ⁤tanto secas antecipadas ‍quanto ⁤enchentes fora do padrão esperado.

Shöngart explica que esse curso regular de inundação ⁤é essential para processos geomorfológicos e​ ciclos biogeoquímicos essenciais à biodiversidade adaptada ao regime natural dos rios. Além disso, influencia diretamente as atividades econômicas tradicionais das populações ribeirinhas ​como agricultura e pesca.

O pesquisador ayan Fleischmann, do Instituto Mamirauá, destaca que essa instabilidade tem ​afetado especialmente as áreas de várzeas ‌no baixo Amazonas. Nos últimos anos ‌houve um‍ aumento superior a 50 dias anuais no período de inundação em cerca de 23% ‍dessas ​áreas.

Secas Extremas⁤ e Consequências Ambientais

As secas recentes têm se⁢ mostrado‌ extremamente severas. Durante a seca histórica de 2023, ‍por exemplo, o Lago⁤ Tefé perdeu cerca de 75% do seu volume d’água chegando a baixar quase 30 centímetros por dia; outros lagos próximos ficaram com até 90% da área‌ seca.

Essa situação crítica provocou também um impacto ambiental grave: foram registradas ⁢mortes‌ em massa de botos nos lagos Tefé⁢ e Coaraci devido às altas temperaturas da água – chegando até 39°C em alguns pontos. No dia⁣ mais crítico foram contabilizadas sete dezenas desses ​mamíferos mortos num único⁤ dia.

Especialistas alertam para essa​ mortalidade⁢ incomum entre os botos⁢ como um sinal preocupante para os ‍ecossistemas aquáticos locais. Estudos indicam que ‍os animais sofreram hipertemia causada pelo aquecimento intenso dos ‌lagos rasos expostos à radiação solar sem refúgio térmico adequado.Cenário Atual ⁣das Chuvas na​ Região

Segundo Fleischmann, há um contraste​ climático dentro da própria Amazônia: enquanto o norte apresenta aumento nas chuvas devido à conservação florestal maior nessa área; no sul observa-se redução significativa ⁣nas precipitações associada ao desmatamento acelerado ​e grandes empreendimentos como hidrelétricas.

A diminuição das árvores reduz a ⁤evapotranspiração – processo vital para formação das chuvas ‌- elevando assim as temperaturas locais e agravando ainda mais os períodos secos prolongados.

Monitoramentos recentes realizados pelo Serviço geológico do Brasil apontam déficits pluviométricos importantes ‍entre maio e junho deste ​ano em vários afluentes importantes como Purus e Madeira além do Solimões​ principal curso hídrico regional.

Medidas Necessárias para⁤ Mitigar Impactos Sociais

Diante desse cenário preocupante é⁣ urgente investir em ações voltadas à mitigação dos efeitos sobre as populações amazônicas isoladas ​pela seca extrema que dificulta acesso básico à água potável além alimentos e medicamentos essenciais.

entre as soluções propostas estão programas estruturados para garantir acesso seguro à água⁣ através da construção de cisternas ‌coletoras pluviais; perfuração profunda para captação subterrânea; distribuição emergencial⁤ kits para tratamento domiciliar da​ água consumida; ⁢além do tratamento adequado dos​ resíduos orgânicos gerados localmente.

Potencial Hídrico Subterrâneo: Desafios Para Uso Sustentável

A região possui vasto aquífero subterrâneo com camadas ‌variadas entre​ profundidades médias (20 metros) até mais profundas (acima dos 250 metros).Segundo ‌Ingo Daniel Wahnfried professor ‍da Universidade Federal do Amazonas (Ufam),esses ⁣aquíferos são fundamentais principalmente onde vivem comunidades ribeirinhas pois abastecem suas⁢ necessidades‌ básicas.

Porém antes mesmo dessa exploração ser ampliada é necessário avaliar cuidadosamente riscos ambientais ‌relacionados à contaminação por metais ⁣pesados presentes⁣ naturalmente‍ ou advindos principalmente das áreas urbanizadas próximas às⁤ capitais amazônicas.

Análises já detectaram elementos ‍tóxicos como arsênio em pequenas ‍quantidades bem como manganês – ambos prejudiciais quando consumidos acima dos limites seguros -, reforçando necessidade urgente por ​estudos aprofundados antes qualquer ⁢intervenção ampla.

Conclusão

As transformações climáticas aliadas às ações humanas vêm alterando profundamente os regimes naturais hídricos na ‍amazônia‌ causando​ impactos ambientais graves com reflexo direto sobre comunidades tradicionais dependentes desses recursos naturais.

É imprescindível fortalecer políticas públicas focadas não só na ⁣preservação ambiental mas também no ⁤desenvolvimento‌ sustentável garantindo segurança hídrica⁣ às populações vulneráveis diante desse quadro cada ⁢vez mais ‍complexo.

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