Neste sábado, 9 de agosto, o Parque Linear Bruno Covas, em São Paulo, recebe a exposição Águas Abertas, que ficará aberta ao público até 9 de novembro de 2025. Com entrada gratuita e intervenções artísticas ao longo de 8 km da margem oeste do Rio Pinheiros, o projeto destaca a obra Confluência dos Olhos D’Água da artista Keila-Sankofa. Essa criação propõe um ritual afroindígena que conecta saberes ancestrais por meio da cuia ou cabaça, símbolo presente nas culturas indígenas e afrodiaspóricas.
Ritual afroindígena como forma de reconexão
A obra Confluência dos Olhos D’Água foi desenvolvida em parceria com o povo Pankararu, comunidade que habita as proximidades do Rio Pinheiros há mais de oito décadas. Por meio da performance, fotografia e cinema, Keila-Sankofa busca estabelecer um diálogo entre as tradições indígenas e negras usando a cabaça como elemento central.
A simbologia da cabaça na performance
Na apresentação Cabeça de Cabaças, o público é convidado a uma experiência sensorial envolvendo sons e imagens que evocam significados profundos: útero gerador da vida, tambor pulsante e recipiente para sementes. Segundo Keila-Sankofa, a cabaça funciona como uma ponte cultural, conectando diferentes povos através dos seus usos em rituais e instrumentos musicais.
Respeito no processo criativo
A artista enfatiza que todo seu trabalho é conduzido com respeito às tradições envolvidas: “Meus movimentos são sempre feitos com muito respeito. O processo é tão importante quanto o resultado”. Essa postura reflete sua intenção não apenas artística mas também política ao questionar tentativas urbanas de controlar a natureza e padronizar culturas para fins lucrativos.
Descolonização do território cultural
Keila destaca ainda a complexidade do Rio Pinheiros para além do seu aspecto físico visível: “O rio está como lençol e nascente; ele representa as águas vivas sob nossos pés”. A curadoria assinada pela arquiteta Gabriela de Matos e pelo pesquisador Raphael Bento reforça essa perspectiva descolonizadora sobre território, espiritualidade e natureza.
Valorização das mulheres artistas
A exposição privilegia trabalhos femininos na arte pública contemporânea – um contraponto à tradição predominantemente masculina desse campo artístico monumental. Além disso, outras obras presentes no evento promovem conexões entre arte urbana e comunidades locais vulneráveis por meio da reutilização sustentável dos materiais usados nas instalações.
Trajetória artística de Keila-Sankofa
Natural de Manaus, keila-Sankofa atua como artista visual e cineasta focada na reconstrução das narrativas silenciadas das populações afroindígenas brasileiras. Seu trabalho utiliza fotografia experimental aliada à videoperformance para resistir às invisibilizações históricas dessas culturas.
Indicada três vezes ao Prêmio PIPA (2021-2024), ela participou também do programa internacional A Diáspora Africana Lá e Aqui. Sua produção já foi exibida em importantes festivais nacionais – como Arte Pará – além eventos internacionais nos países Argentina, Holanda and Suíça.
“Reconheço as encruzilhadas das cidades como espaços férteis para novas narrativas”, afirma a artista sobre sua atuação multidisciplinar voltada à transformação social por meio da arte.
Conclusão
O ritual afroindígena apresentado por Keila-Sankofa no contexto do Rio Pinheiros oferece uma reflexão profunda sobre ancestralidade ambientalizada pela cultura negra-indígena brasileira. Ao valorizar saberes tradicionais através da arte contemporânea sensível aos desafios urbanos atuais São Paulo abre espaço para diálogos essenciais entre passado vivo e futuro possível.
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