Controvérsia nas Notas do Carnaval: Escolas de Samba do Rio de Janeiro Contestam Resultados
Três renomadas escolas de samba do Rio de Janeiro protocolaram recursos junto à Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesa), questionando as notas que receberam durante a apuração dos desfiles. As agremiações envolvidas são: Acadêmicos do Grande Rio, que ficou em segundo lugar; Unidos de Padre Miguel, rebaixada para a Série Ouro; e Unidos da Tijuca, que terminou na nona posição e foi multada em R$ 80 mil. A Liesa, por meio de um comunicado oficial, informou que seu departamento jurídico está ciente dos recursos apresentados e irá analisá-los conforme as diretrizes estabelecidas para o carnaval.
Motivos das Contestações
A Unidos da Tijuca não busca alterar sua classificação, mas sim contestar a multa imposta por supostamente exceder o tempo permitido para retirar suas alegorias da avenida. A escola argumenta que não deixou nenhum material no local, defendendo que isso não prejudicou a apresentação da Beija-Flor, segunda escola a desfilar naquela noite.
Por outro lado, os Acadêmicos do Grande Rio perderam o título por apenas um décimo e tentam dividir a vitória com a Beija-Flor ao questionar as notas recebidas no quesito bateria.O regulamento estipula que é descontada a menor nota atribuída à escola em cada quesito; como recebeu duas notas 9,9, uma delas foi considerada e resultou na perda do campeonato.
O jurado Ary Jaime Cohen justificou sua penalização afirmando que “a resposta das caixas sugeriu uma imprecisão com efeito flam”, termo utilizado para descrever falta de sincronia entre os instrumentos. Já Geiza Carvalho destacou que “não houve projeção sonora” adequada nos curimbós utilizados pela bateria.
A Unidos de Padre Miguel recebeu as piores pontuações e foi rebaixada após identificar inconsistências nas justificativas apresentadas pelos jurados. A escola alegou ter sofrido penalizações devido a falhas técnicas no caminhão de som — problemas alheios à sua responsabilidade — os quais não deveriam resultar em perda de pontos.
Cultura Iorubá em Debate
Dentre as penalidades aplicadas à Unidos de Padre Miguel surgiu um movimento nas redes sociais protestando contra as decisões dos jurados. A avaliadora ana Paula Fernandes atribuiu nota 9,7 ao quesito samba-enredo da agremiação e retirou um décimo sob alegação da dificuldade na compreensão da letra devido ao uso excessivo do iorubá — língua africana influente no português brasileiro.
No desfile deste ano, Unidos de Padre miguel apresentou o enredo “egbé iya nassô“, homenageando Iyá Nassô — figura central na disseminação do culto aos orixás no Brasil — além dos 200 anos da Casa Branca do Engenho Velho, considerado o templo afro-brasileiro mais antigo ainda ativo.
Luis Antônio Simas, professor e especialista em história cultural brasileira comentou: “um enredo inspirado na cultura do candomblé deve incluir expressões ligadas ao candomblé? Elas fazem parte das falas brasileiras; além disso,o iorubá é patrimônio imaterial reconhecido pelo Rio desde 2018”.
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