Estudantes e professores da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara desenvolvem desde o segundo semestre de 2025 um projeto de extensão focado na saúde mental do povo indígena Mura. A iniciativa ocorre na Aldeia Correnteza,localizada na Terra Indígena Rio Urubu,e integra conhecimento científico com saberes tradicionais para promover o cuidado emocional e fortalecer práticas coletivas voltadas ao bem-estar da comunidade.
Projeto intercultural para a saúde mental indígena
O projeto, intitulado “Saúde Mental Indígena: abordagem intercultural e promoção de saúde e bem-estar em comunidade originária”, surgiu diante das vulnerabilidades emocionais identificadas entre os povos originários, como a perda territorial e o choque cultural. Com base nisso, a Afya estruturou uma ação que valoriza os saberes tradicionais por meio de uma abordagem intercultural. Segundo Soraia Tatikawa, diretora da Afya Itacoatiara, essa estratégia busca promover inclusão social respeitando as especificidades culturais dos Mura.
Participação das lideranças indígenas
A atuação acontece diretamente na Aldeia Correnteza, que abriga 46 famílias totalizando mais de 130 pessoas. A participação ativa das lideranças Mura é basic para garantir que as ações sejam culturalmente adequadas. Elas orientam sobre as formas corretas de abordar temas sensíveis e ajudam a criar um ambiente confiável entre equipe acadêmica e comunidade.
As atividades realizadas incluem rodas de conversa, dinâmicas grupais, palestras educativas e consultas médicas – sempre com foco no fortalecimento da identidade cultural local e no incentivo ao autocuidado comunitário. O planejamento é construído coletivamente considerando tempo, espaço físico e rituais tradicionais para assegurar comunicação acessível.
Desafios no acesso à saúde indígena no Amazonas
O estado do Amazonas concentra a segunda maior população indígena do Brasil – cerca de 12,45% dos habitantes conforme Censo 2022 – sendo que em Itacoatiara são mais de mil indígenas declarados oficialmente. Apesar disso, muitas comunidades enfrentam dificuldades históricas para acessar serviços especializados em saúde mental.
Dados da Secretaria Especializada em Saúde Indígena (Sesai) apontam escassez significativa tanto em profissionais quanto em atendimentos psicossociais nas regiões remotas atendidas pelos distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Essa realidade motivou a criação do projeto pela Afya como resposta acadêmica direta às necessidades locais.
Abordagem humanística integrada à formação profissional
Coordenado pela professora Ádria cortez dentro do eixo Piepe (Projetos de Intervenção e Extensão na Educação Profissional),o projeto alia teoria à prática por meio do contato direto dos estudantes com as comunidades indígenas durante suas disciplinas curriculares. Essa vivência contribui para formar profissionais mais sensíveis às diversidades culturais amazônicas.
Segundo Ádria Cortez, reconhecer múltiplas formas legítimas de compreender o sofrimento psíquico é essencial: “A metodologia envolve escuta atenta aos rituais locais; uso do idioma nativo; valorização das práticas comunitárias tradicionais”. Isso amplia competências humanísticas fundamentais para futuros enfermeiros e médicos atuarem com empatia nos contextos regionais diversos.
Compromisso social institucional e perspectivas futuras
Para Soraia Tatikawa essa iniciativa reforça o compromisso social da faculdade ao consolidar seu papel como espaço colaborativo que valoriza saberes locais enquanto promove desenvolvimento sustentável regional. Entre os resultados esperados estão:
- Fortalecimento contínuo do diálogo intercultural
- Construção coletiva de práticas inclusivas voltadas à saúde mental
- Ampliação gradual do atendimento a outras comunidades indígenas
- Estabelecimento futuro uma rede permanente dedicada à formação continuada nesse campo
Assim, a academia se posiciona estrategicamente como agente transformador comprometido com equidade social respeitando diversidade cultural indígena amazônica.
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