Contraditório, Amazonino entregou secretarias a partidários e ‘fichas-sujas’

Contraditório, Amazonino entregou secretarias a partidários e ‘fichas-sujas’

A cinco meses das eleições, o governador Amazonino Mendes (PDT), pré-candidato à reeleição, possui uma gestão “fatiada” entre partidos políticos e familiares além de ter entregado pastas a gestores condenados pela Justiça, os “fichas-sujas”.
Filiados a partidos: Eliane Ferreira e Diego Afonso (parte superior). Condenados pela Justiça: José Aparecido e Dan Câmara (parte inferior) – Reprodução/Internet
O atual cenário da composição administrativa do Estado contraria o próprio discurso do governador que, na última sexta-feira, 4, afirmou, no município de Autazes, ter criado um “secretariado técnico” e disse que “faz peneira” para escolher aliados.
Nos bastidores, a declaração do governador virou motivo de piada já que é de conhecimento público que Amazonino entregou secretarias a parentes e a legendas, como o PV, PMN, PPS além de seu próprio partido, o PDT, cujos gestores não possuem experiência técnica comprovada para a função a qual foram escolhidos.
Esse é o caso da presidente estadual do Partido Verde (PV), Eliane Ferreira, nomeada para ser secretária estadual de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), pasta que possui um orçamento anual de R$ 43,3 milhões. Eliane foi uma entusiasta da campanha de Amazonino na eleição suplementar de 2017. Em sua biografia, ela não fez menção a experiências na área de Direitos Humanos.
Eliane Ferreira em campanha para Amazonino (Facebook)
Para a Superintendência  Estadual de Habitação (Suhab), o governador colocou um colega de partido, o vereador Diego Afonso (PDT), que também não tem, em seu histórico profissional, qualquer experiência na área de Habitação, mas foi um dos principais apoiadores do governador, durante o pleito passado. Ele tem em suas mãos um orçamento de R$ 62 milhões e deverá abraçar a candidatura do pai, o deputado estadual Adjuto Afonso (PDT), para a reeleição.
Diego Afonso postou cards na campanha de 2017 (Facebook)
Na Secretaria Estadual do Trabalho (Setrab), Amazonino decidiu colocar um amigo pessoal e membro do PMN, o vereador de Manaus, Wiliam Abreu, que não possui em sua biografia trabalhos técnicos no segmento de Emprego e Empreendedorismo, mas foi funcionário comissionado da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), quando o governador era prefeito de Manaus (2008-2012).
Wiliam administra  R$ 7,2 milhões de orçamento. Além de trabalhar na campanha para a reeleição de Amazonino, o parlamentar licenciado deverá se empenhar em reeleger o deputado estadual Wanderley Dallas (MDB), aliado do governador.
William Abreu ao lado deputado Wanderley Dallas, aliado de Amazonino (Facebook)
Líder juvenil do partido que apoiou Amazonino Mendes no segundo turno da eleição de 2017, Manoel Almeida, do PPS, foi nomeado para comandar a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Sejej), apesar de não ter em seu currículo experiência técnica comprovada para a nova função. Nas mãos dele está um orçamento de R$ 32,2 milhões.
Manoel Almeida declarando apoio a Amazonino pelo PPS (Facebook)
A familiares, o governador entregou a gestão de mais de R$ 440 milhões em recursos públicos. Para o marido de sua sobrinha, Oswaldo Said Júnior, Amazonino deu a gestão da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra), e para a mulher de Said, Mônica Mendes, o governador lhe repassou a administração do Fundo de Promoção Social (FPS).
Oswaldo Said Júnior e Mônica Mendes administram, juntos, mais de R$ 440 milhões do governo (Facebook)
‘Fichas-Sujas’
Outro trecho da declaração de Amazonino, no município de Autazes, há cinco dias, que virou motivo de chacota entre políticos foi o momento em que ele afirmou que usa “peneira” para escolher aliados políticos e secretários.
No mês passado, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) emitiu uma lista de “fichas-sujas”, na qual aparece pelo menos três gestores de Amazonino: de Produção Rural (Sepror), José Aparecido dos Santos; dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped), Vania Suely de Melo e Silva; e Extraordinário do Governo, Dan Câmara.
A Emenda Constitucional nº 74/2011 inseriu na Constituição do Amazonas a proibição de nomeações ou de designações de pessoas no poder público que estejam enquadradas nos critérios da Lei da Ficha Limpa Nacional – julgadas e condenadas em processos de improbidade administrativa, corrupção, crimes raciais e que tiveram suas contas reprovadas pelos Tribunais de Contas.
Apesar de não ter sido julgado por um tribunal colegiado, o secretário estadual de Saúde (Susam), Francisco Deodato, já teve as contas bloqueadas pelo  juiz Leoney Figlioulo, no caso conhecido como o escândalo da “Prodente”, em 2001. Deoado administra um dos maiores orçamentos do Estado, de mais de R$ 2 bilhões.
Na época do processo, ele era secretário de Saúde, no governo de Amazonino, e foi acusado pelo Ministério Público do Estado (MP-AM) de improbidade administrativa por um convênio com a  Fundação Prodente e de Cláudio Alberto  Felsenthal, pelo valor de R$ 1,6 milhão.

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