Apreensões de materiais proibidos com visitantes tem aumento de 67% em 2018

Apreensões de materiais proibidos com visitantes tem aumento de 67% em 2018

Celulares, chips, carregadores e entorpecentes são os principais objetos apreendidos com visitantes que tentam burlar a segurança nas unidades prisionais. De janeiro a abril deste ano, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) registrou um aumento de 67% nas apreensões desses ilícitos na capital durante os dias de entrega de materiais e nos dias de visita, em comparativo com o mesmo período de 2017, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira, 9. 
 O objeto que registrou maior aumento foram os chips de celulares (Foto: Divulgação Seap)
Para o secretário de Estado de Administração Penitenciária, coronel da Polícia Militar, Cleitman Coelho, o aumento das ocorrências de flagrantes e apreensões tem diversos fatores como o aumento de equipamentos de fiscalização nas unidades prisionais, o desempenho de servidores da Seap e agentes de socialização da Umanizzare nos procedimentos de revista em visitantes e denúncias recebidas pela secretaria através do WhatsApp-Denúncia da Seap.
“Os investimentos feitos pela Seap na modernização e ampliação de equipamentos de fiscalização tem surgido efeito. Entre julho a dezembro de 2017 adquirimos novas 24 esteiras de raio-x para revistas em materiais e bolsas e alugamos nove body scanners, que são os scanners corporais, que estão auxiliando em todos os procedimentos de revista. Além disso, a dedicação dos servidores da Seap e agentes da Umanizzare tem feito a diferença, pois temos pessoas comprometidas em agir corretamente nas ações de segurança do sistema prisional, e por último tivemos um crescimento a partir de março, com a utilização da ferramenta de recebimento de denúncias via WhatsApp”, afirmou o secretário.
O objeto que registrou maior aumento este ano foram os chips de celulares, com 42 apreendidos nos quatro primeiros meses de 2018 e 11 apreendidos no mesmo período de 2017, registrando nesse item um crescimento de 282%. As apreensões de carregadores de celulares e entorpecentes como maconha e cocaína, também tiveram mais registros, com quatro carregadores flagrados este ano e dois no ano passado, e um total de 78 porções ou trouxinhas de entorpecentes em 2018, em comparativo com 54 no mesmo período.
Foram apreendidos neste ano 23 aparelhos celulares, no comparativo com 21 celulares em 2017. O secretário da Seap, Cleitman Coelho ressalta que as ocorrências têm um número maior de registro nos finais de semana, quando os familiares dão entrada nas unidades para os dias de visita. “A ousadia dos visitantes é maior nesses dias porque são justamente os únicos momentos que eles têm contato com os internos. Então se eles conseguirem burlar a segurança, eles entram com os ilícitos e entregam nas mãos dos parentes que estão presos”.
UPP registrou mais apreensões – Nos quatro primeiros meses deste ano, a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) tem se tornado a unidade com mais apreensões. No presídio localizado na zona leste, já foram flagrados com visitantes cerca de 13 celulares, 41 chips e 50 porções ou trouxinhas de entorpecente. Logo em seguida com mais apreensões vem o Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM), Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj Fechado).
Para o secretário Cleitman Coelho, as quatro unidades masculinas refletem esses números por conta da quantidade de detentos custodiados e por serem as maiores unidades prisionais da capital. Cleitman ressalta ainda que as ações dos familiares contribuem para a reincidência e não recuperação dos detentos. “A família ajuda a alimentar o vício quando tenta introduzir drogas nas unidades. A família arma os detentos quando esconde aparelhos celulares para tentar burlar os procedimentos de segurança. Dessa forma os familiares estão ajudando a afundar ainda mais os seus parentes e não estão proporcionando chances para que eles saiam dessa vida, já que a família é um alicerce extremamente necessário e importante para a recuperação dessas pessoas”, afirmou.
Punições – As medidas tomadas pela Seap ao flagrarem visitantes com materiais proibidos é a suspensão do cadastro de visita dos parentes no período mínimo de 30 dias, que pode se estender para 90 dias ou por tempo indeterminado, se os visitantes tiverem registros de outras ocorrências com objetos ilícitos. Outra penalidade sofrida pelos visitantes flagrados é serem encaminhados a Distritos Integrados de Polícia (DIPs) para os procedimentos cabíveis. Em alguns casos visitantes já ficaram detidos e encaminhados ao sistema prisional, a maioria mulheres, que deram entrada no Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF) por tráfico de drogas.
Ocorrências registradas em maio chamam atenção – Nos dias 05 e 06 de maio, a Seap registrou um total de seis ocorrências, sendo três no sábado (05/05) e três no domingo (06/05). A UPP realizou três flagrantes, o Compaj  Fechado dois e um registro no Ipat. A maior ocorrência aconteceu no sábado, por volta das 10h, no Compaj Fechado, quando a visitante Larissa Nascimento Dantana foi flagrada pelo equipamento do body scanner, usando uma cinta para esconder 11 celulares, 11 carregadores, 16 chips de celular e quatro fones de ouvido. Larissa iria visitar o detento Thiago Lima Reis, do pavilhão 3 do Compaj. A visitante foi encaminhada ao 19º DIP, no bairro Ponta Negra, zona oeste da capital, e teve seu cadastro suspenso.
Durante o sábado, a UPP registrou uma ocorrência com a visitante Viviane de Souza Negreiros, companheira do detento Weslley Moura da Silva, da galeria 7 da unidade. A mesma foi flagrada com uma placa de celular, escondida em fundo falso de forma de bolo. Viviane passou pelos procedimentos administrativos da unidade e teve seu cadastro suspenso.
No Ipat, o equipamento do body scanner flagrou a visitante Obede Batista Rodrigues, mãe do interno Maycon Douglas Batista Ferreira, do pavilhão C da unidade. A mesma escondeu em suas partes íntimas uma porção média de material entorpecente, supostamente maconha, e a quantia de R$ 70 em espécie no bojo do sutiã. A mãe do preso também foi conduzida ao 19º DIP para os procedimentos legais.
No domingo, dia 06, a UPP flagrou Alanna Campos França, companheira do detento Marcelo Felipe Vieira da Silva, com quatro porções de entorpecente, supostamente maconha e cocaína. A mulher foi encaminhada ao 30º DIP. Pela parte da tarde a unidade realizou ainda outra ocorrência, envolvendo o visitante Jailson da Silva Ramos, pai do interno Gabriel da Silva Ramos, que tentou entrar na unidade com um cabo USB e teve seu cadastro suspenso. As duas ocorrências da UPP também foram flagradas no procedimento com o equipamento de body scanner da unidade.
Fechando as ocorrências de domingo, o Compaj Fechado flagrou a visitante Mirian Freitas da Silva, que iria visitar o preso Jhordan Gato Araújo, com dois cabos USB e um fone de ouvido. O material foi encontrado dentro de um recipiente de lenços umedecidos.

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